Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

Desiderata

"Siga tranqüilamente entre a inquietude e a pressa,
lembrando-se de que há sempre paz no silêncio.
Tanto quanto possível sem humilhar-se,
mantenha-se em harmonia com todos que o cercam.
Fale a sua verdade, clara e mansamente.
Escute a verdade dos outros, pois eles também têm a sua própria história.
Evite as pessoas agitadas e agressivas: elas afligem o nosso espírito.
Não se compare aos demais, olhando as pessoas como superiores ou inferiores a você:
isso o tornaria superficial e amargo.
Viva intensamente os seus ideais e o que você já conseguiu realizar.
Mantenha o interesse no seu trabalho,
por mais humilde que seja,
ele é um verdadeiro tesouro na continua mudança dos tempos.
Seja prudente em tudo o que fizer, porque o mundo está cheio de armadilhas.
Mas não fique cego para o bem que sempre existe.
Em toda parte, a vida está cheia de heroísmo.
Seja você mesmo.
Sobretudo, não simule afeição e não transforme o amor numa brincadeira,
pois, no meio de tanta aridez, ele é perene como a relva.
Aceite, com carinho, o conselho dos mais velhos
e seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude.
Cultive a força do espírito e você estará preparado
para enfrentar as surpresas da sorte adversa.
Não se desespere com perigos imaginários:
muitos temores têm sua origem no cansaço e na solidão.
Ao lado de uma sadia disciplina conserve,
para consigo mesmo, uma imensa bondade.
Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores,
você merece estar aqui e, mesmo se você não pode perceber,
a terra e o universo vão cumprindo o seu destino.
Procure, pois, estar em paz com Deus,
seja qual for o nome que você lhe der.
No meio do seu trabalho e nas aspirações, na fatigante jornada pela vida,
conserve, no mais profundo do seu ser, a harmonia e a paz.
Acima de toda mesquinhez, falsidade e desengano,
o mundo ainda é bonito.
Caminhe com cuidado, faça tudo para ser feliz
e partilhe com os outros a sua felicidade".

DESIDERATA - Do Latim Desideratu: Aquilo que se deseja, aspiração.
Este texto foi encontrado na velha Igreja de Saint Paul, Baltimore, datado de 1692.
Foi citado no livro "Mensagens do Sanctum Celestial", do Fr. Raymond Bernard.
O texto é de Max Ehrmannn e foi registrado pela primeira vez em 1927.
Hoje em dia pertence à © Robert L. Bell.

Um abraço fraterno. Eduardo Isaac

Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Semear


"Aquele que não cultiva o campo que o trabalho de seu pai lhe granjeou, e que lhe coube em herança, o vê cobrir-se de ervas parasitas. È seu pai quem lhe tira as colheitas que ele não quis preparar? Se, a falta de cuidado, deixou fenecessem as sementes destinadas a produzir nesse campo, é a seu pai que lhe cabe acusar por nada produzirem elas? Não e não. Em vez de acusar aquele que tudo lhe preparara, de criticar as doações que recebera, queixe-se do verdadeiro autor de suas misérias e, arrependido e operoso, meta, corajoso, mãos à obra; arroteie o solo ingrato com o esforço de sua vontade; lavre-o fundo com auxílio do arrependimento e da esperança; lance nele, confiante, a semente que haja separado, por boa, dentre as más; regue-o com o seu amor e a sua caridade, e Deus, o Deus de amor e de caridade, dará àquele que já recebera. Verá ele, então, coroados de êxito os seus esforços e um grão produzir cem e outro mil. Animo, trabalhadores! Tomai dos vossos arados e das vossas charruas; lavrai os vossos corações; arrancai deles a cizânia; semeai a boa semente que o Senhor vos confia e o orvalho do amor lhe fará produzir frutos de caridade." Um Espírito amigo. (Bordéus, 1862.)

Tal como diz essa mensagem edificadora, se não nos vierem os frutos, devemos antes de tudo questionarmos se nós fizemos o plantio adequado e se zelamos para que a semente germinasse e se desenvolvesse. Muitas das "culpas" que colocamos nisso ou naquilo por nossos planos não se concretizarem não tem outra origem senão em nós mesmos. Devemos reconhecer e agradecer todas as oportunidades dadas para o nosso progresso em todos os campos, e agirmos diante dela, fazendo a parte que nós cabe de trabalho e dedicação, para que bons frutos venham agraciarnos e assim radiantes, nos alegremos com toda Paz, Luz e Amor, que advirá da Caridade realizada, bem como todo o resultado dos projetos propostos.

Um abraço fraterno,

Eduardo Isaac Rodrigues

Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

Um tanto mais

"Você guarda a impressão de haver esgotado o estoque de todos os seus recursos, em determinada tarefa de amor, mas se você perseverar um tanto mais no devotamento, ninguém pode prever os louros de luz que brilharão em seu passo.

Você está doente e pretende obter licenças de longo prazo, mas se você continuar um tanto mais em serviço, ninguém pode prever o tesouro de forças novas que lhe aparecerá no caminho.

Você encontrou imensas dificuldades no exercício das boas obras e anseia fugir delas, mas se você persistir um tanto mais na construção da beneficência, ninguém pode prever o triunfo que as suas horas recolherão, nas fontes vivas da caridade.

Você acredita que não pode tolerar o amigo importuno, o filho teimoso, o irmão inconsciente, a esposa inconstante ou o marido insensato, mas se você suportar um tanto mais a luta em família, ninguém pode prever a extensão do júbilo provindouro em seu ninho doméstico.

Você supõe que o azar é o seu clima e chora na bica do desespero, mas se você cultivar um tanto mais de fidelidade às próprias obrigações, ninguém pode prever a amplitude do seu êxito, no amanhã que vem perto.

Você experimenta enorme cansaço e não quer dar ouvidos ao companheiro de longa conversa, mas se você esticar um tanto mais o seu sacrifício, ninguém pode prever os prodígios da colheita de bênção que surgirão dos seus breves minutos de gentileza.


Observe que você mesmo para realizar isso ou aquilo, exige incessantemente dos semelhantes um tanto mais de bondade, um tanto mais de cooperação, um tanto mais de tempo, um tanto mais de carinho...

O gênio é a paciência que não se acaba.

É justo que você deseje um tanto mais de felicidade, mas para isso, é necessário que você ajude um tanto mais a felicidade dos outros.

Repare você as lições da vida e compreenderá que a vitória no bem é sempre trabalhar conforme o dever e servir um tanto mais."

André Luiz


(De: “Ideal Espírita”, de Francisco Cândido Xavier – Autores diversos)

Dispensa acréscimos.. Um abraço fraterno.

Eduardo Isaac Rodrigues

Domingo, 16 de Novembro de 2008

Como surgiu a Ordem do Templo

"Não existe verdade absoluta, mas sim o grau de entendimento que nos encontramos. O certo e o errado, o mal e obem, conceitos aparentemente antagônicos, carregam em si a relatividade das concepções que cada um traz em seu interior, bem como o estado evolutivo que o Ser se encontra na escada infinita de progresso."

Um fator o qual é prudente sempre considerarmos, é que perigoso se torna tomar algo por uma verdade imutável, pois as informações que vem de encontro a nós, são visões e interpretações sobre achados ou sobre aquilo que outros relataram em algum momento da história de acordo com suas próprias concepções. Assim sendo a história pode ser próxima, mas dificilmente exata, ficando a mercê da perspectiva e interpretação dos observadores, e deste modo mesmo episódios de centenas de anos podem ser recontados, desvendados e acrescidos à luz de novas descobertas.

O surgimento da Ordem do Templo não pode ser tomado por um único aspecto, pois complexa é a conjuntura sócio-política e religiosa que na época imperava. Para um maior entendimento, devemos considerar, principalmente, o modo de pensamento das gentes da época, bem como outros aspectos que procuraremos dentro do possível demonstrar nesta breve exposição.

O Islã

Maomé, a figura de maior importância no mundo islâmico, uniu as tribos e grupos em torno de uma única fé, e combateu com firmeza aqueles que a ela se opuseram. Destruiu ídolos e crenças diversas e criou todas as bases da religião que hoje é uma das maiores do mundo.

Após sua morte, no ano 632, o governo teocrático e gigantesco, que havia sido constituído em torno de sua pessoa, sofre um grande impacto. Nada havia sido pré-determinado, em termos de sucessão após sua partida.

Então com a ausência de sua figura central o mundo Islâmico estava novamente suscetível a divisões, divergências e conflitos. E é em decorrência disto que duas grandes vertentes dividiram o povo, entre xiitas e sunitas, o que é fundamentalmente uma das raízes dos conflitos que hoje divisamos no oriente médio. Os primeiros acreditam que só o Alcorão, escrito por Maomé, deve ser considerado como grande livro sagrado de sua fé, enquanto os segundos acreditam que além do Alcorão há outro livro sagrado que deve nortear seus costumes e atos, a Suna, que é uma compilação de eventos e feitos do profeta, reunidos pelos seus familiares.

Assim, imerso em disputas, o povo tinha novamente necessidade de uma grande personalidade que reuniria o povo islâmico e os protegesse da ameaça da cristandade da época, que a partir de 1096 começou a empreender cruzadas rumo às terras do oriente, e concentrando-se logo, na cidade de Jerusalém, uma cidade de vital importância tanto na fé islâmica, cristã quanto também na judaica. As disputas dentre o povo Islâmico eram constantes, e agora outro inimigo entrava em cena, os Cristãos, com hábitos, cultura e crenças diversas, e que vinham cada vez mais fortalecidos combater àqueles contrários à sua fé, em nome de Jesus Cristo, e reivindicar a cidade onde o mestre Jesus viveu seus últimos episódios terrenos. No outro lado, aos Mulçumanos era permitido a Jihad, ou guerra santa, para combater aqueles que ameaçavam sua fé e seu domínio.

Nos idos de 1174 quando o então rei de Jerusalém, Amauri, falece, evidência-se ainda mais um homem que foi de sua confiança, Salah ed-din, conhecido como Saladino. Por seu lendário modo extremamente cavalheiresco, fervor religioso, grandes habilidades políticas e pela sua destreza e habilidades em combates, rapidamente foi reconhecido pelos mulçumanos como Sultão, liderando um exército de mais de 500.000 mil homens em armas e fortalecendo seu povo no sentimento de uma só nação com objetivos em comum.

Saladino

E neste cenário de fervor religioso e conflitos, repleto de homens vitimados por extremismos e ignorância, e ao mesmo tempo convivendo com inúmeras personalidades de tal virtude jamais imaginadas, é que surgiu a Ordem dos Templários, que iria causar um profundo impacto nas mentes e corações dos homens da época, e seus reflexos, visíveis ou ocultos, ainda perduram e continuarão a ecoar pelos tempos imemoriais.

O início da Ordem do Templo

Muito se especula sobre os motivos da instituição da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e sobre suas atividades. Teorias mais ousadas dizem até que a Ordem foi fundada para guardar tesouros ou relíquias sagradas, como o Santo Graal por exemplo.

Contudo, acredita-se que Hugues de Payns, um dos nove cavaleiros franceses que fundaram a Ordem, possa ter participado de cruzada anterior. A realidade era dura, e com os conflitos e divergências constantes entre a cristandade e os povos islâmicos, os que mais sofriam eram os peregrinos que iam à Terra Santa com objetivos diversos, de redenção de seus pecados à busca de fazer fortuna, Estes peregrinos através de caminhos inóspitos eram vitimados por doenças, saques, intolerância e morte. Este fator pode ter sido a motivação principal do Cavaleiro, que se propõem, juntamente com mais oito companheiros, dedicarem suas vidas à proteger dos peregrinos dos ataques dos muçulmanos.

Ser Cavaleiro, ou seja, exercer o Ofício de Cavalaria, naquele período era depois dos clérigos, ofício de extrema importância, e implicava em ter nobreza de coragem, honra e virtudes, temer à Deus e defender os idéias cristãos, bem como assumir perante a Deus e ao povo um compromisso de defender os pobres e desprovidos. Essa mentalidade, perfeitamente seguida por estes primeiros nove bravios, culminou na instituição de uma organização monástico-militar, no ano de 1118, sendo estabelecidos pelo rei Balduíno II na mesquita de Al-Aqsa, edificada onde outrora fora partes de um antigo templo judaico, supostamente erigido pelo rei Salomão. Daí o nome original de Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo passar logo a ser conhecido simplesmente por Ordem do Templo ou Templários. Nestes primeiros anos eles ainda não teriam hábito ou regra determinada que os diferenciasse dos outros cruzados e ordens já existentes, embora o valor do Pobres Cavaleiros de Cristo fosse gradualmente sendo reconhecido.

Os então Templários fizeram votos de pobreza, castidade e obediência. Viviam de doações e esmolas, faziam escolta de peregrinos entre Jerusalém às margens do Jordão, e outros serviços menos expressivos, mas não sem importância, devido pequeno número de cavaleiros.

No Concílio de Troyes, no ano de 1128, no qual São Bernardo de Claraval que era um dos grandes apoiadores da Ordem, teve atuação das mais fundamentais, os Templários receberam o hábito branco com uma cruz vermelha na frente, e adotaram a regra cisterciense de são Bento, aceitando rígidas normas referentes ao funcionamento da Ordem, organização e vida monástica. Deviam assistir à missa todos os dias, vestir-se de modo simples e comer aos pares no mesmo prato. O silêncio era profundamente valorizado e aconselhado, evitando-se assuntos profanos ou menores.

Pelo seus ideais cristãos, manifestas virtudes, e a valentia e destreza que demonstravam nos combates, os monges-soldados obtiveram um imenso prestígio. Rapidamente a Ordem cresceu, tanto em membros e auxiliares quanto em território, riqueza e influência, com uma bem definida hierarquia, estatutos, e organização interna, tendo grande autonomia, livres da jurisdição de reis ou bispos, respondendo somente ao papa. Assim ela se tornava a instituição mais poderosa de sua época. Sua influência estendia-se nos mais diversos campos, cultural, social, econômico-financeiro, diplomático e bélico.

Neste sentido, acabaram por impulsionar muitos avanços consideráveis em todos essas áreas, proporcionando uma contribuição valiosa para os homens da época, bem como para as gerações vindouras, alcançando-nos na atualidade. Principalmente seus valores, a coragem com que protegiam os peregrinos e que lutavam em seus embates, sua proficiência econômica, administrativa e militar, gravaram marcas indeléveis nas páginas da história humana e atraem pesquisadores, curiosos e buscadores, que se deleitam com os feitos dos Cavaleiros Templários e assim se inspiram em suas próprias peregrinações rumo ao conhecimento e Sabedoria.

Fontes pesquisadas:
- Textos disponibilizados no arquivo do grupo TempleLucis (ver http://www.osmtj.org/ e http://www.templebrasil.org/)
- Coleção Sociedades Secretas – Editora Larousse
- Wikipédia
Com meus melhores votos me despeço,
Sincera e fraternalmente,
Eduardo Isaac Rodrigues

Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Ser cavaleiro

A origem da cavalaria nos remete a tempos imemoriais. A referência a guerreiros que utilizavam cavalos seja para transporte, seja para combates, remonta à milênios, sendo-nos impossível determinar com exatidão períodos ou agentes primeiros de sua utilização.

Em certo período da história o uso do cavalo nas batalhas passou a ser muito valorizado. Aqueles guerreiros que combatiam sobre seus cavalos, obtiam tamanho destaque sobre os demais, pela velocidade, força, agilidade e glória que combater montados lhes proporcionavam, que essa classe teve valor e famas cada vez mais difundidos pela Europa. O combate à cavalo exigia maestria com as armas e com o animal, e também exigia competências e habilidades que deviam ser bem trabalhadas e desenvolvidas.

Tendo importância e reconhecimento crescentes, na Idade Média os chamados cavaleiros passavam então a constituir uma posição de destaque na sociedade. Cada cavaleiro tinha o valor em batalha de muito soldados a pé, de classe mais baixa. Outro fator importante a considerar é que o cavaleiro, com seu novo status, passa então a ser visto pelas gentes comuns como uma referência de poder e proteção contra perigos e inseguranças diversas que habitavam os corações e mentes da época. A necessidade de proventos consideráveis para comprar e manter um cavalo, armas e armaduras, provisões, bem como custear aqueles que lhe eram necessários como escudeiro e outros serventes, exigia dos cavaleiros que tivessem posses de onde obter recursos, as quais lhe eram cedidas por autoridade superior ou principalmente herdadas. Naturalmente, por esses e outros motivos, a cavalaria se vinculou à nobreza desde seus passos iniciais, e a figura do cavaleiro projetou-se como eleito entre os homens e responsável e soberano sobre os demais.

A projeção foi recíproca, pois a população ratificava e aceitava a superioridade do cavaleiro, que lhe protegeria e orientaria, e o cavaleiro se lançaria como superior e responsável pelas gentes comuns. Aí então, o “ser cavaleiro”, já havia deixado há muito o simples significado de um mestre no domínio das armas e do cavalo, correspondendo agora a um estilo de vida, embasado em princípios, orientações, valores, direitos e deveres especiais. Estava então fundada uma instituição que teria sua sede no espírito do homem, transcendendo os limites territoriais, esta era a Ordem de Cavalaria.

Ser feito cavaleiro, era receber imensa honraria, receber o prestígio dos demais, bem como ser encarregado de fazer jus a Ordem de Cavalaria e honrá-la pela nobreza de sua coragem. O novo cavaleiro então, na maioria dos casos antes escudeiro, estava imbuído de manter a ordem, defender os pobres e desprovidos e observar e lutar pelos ideais cristãos.

O cavaleiro devia ter virtude e coragem, para defender a justiça e a verdade, bem como ter lealdade para ser obediente àqueles que estão mais acima dele. Aquele que desejava ser cavaleiro, antes devia ser valoroso e temer a Deus, pois caso contrário estaria em desacordo com os princípios da cavalaria e por isso não poderia ser sagrado cavaleiro.

Ser cavaleiro então era ofício dos mais nobres, e implicava em ter retidão, servir ao próximo, ser justo, não hesitar em combater tudo aquilo que ameaçava o que é bom e correto e sempre trilhar o caminho do bem, zelando sempre pela ordem e progresso.

Um fraternal abraço.

Eduardo Isaac Rodrigues

Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

Desculpe, estou na correria, não posso viver.


Dentro do ônibus, o calor era insuportável, e as pessoas se aglomeravam, acotovelavam-se e ruminavam seus infortúnios. As testas com cenho franzido, os dentes rangentes anunciavam agonia, inconformismo e rancor. As vezes um garimpado pedido de desculpa por um inevitável esbarrão chocava-se com uma parede de frieza e um olhar desaprovador ou até inquisidor.

Após esse caos, ou melhor essa etapa, vamos a mais uma fase da heróica luta diária. Por entre ruas, carros, centenas de propagandas comerciais e eleitorais, dezenas de pessoas para um lado e para outro, estava eu a caminhar no centro da cidade indo para mais um compromisso. Já me encontrava atrasado, pois o ônibus demorara um pouco mais que o habitual.

Assim eu estava não diverso, mas no mesmo ritmo daquilo que presenciava, o oceano de vibrações agitadas, caóticas, e sem perceber a tensão nos músculos aumentava e tornava rijas as articulações no rumo do trapézio. Então uma brisa sussurou ao meu ouvido, e me incitou a calar a mente e me concentrar na observação da chamada realidade. Desci do trem que leva os transeuntes adormecidos em suas rotinas mecânicas e virei mero expectador. A mesma brisa resolveu que era importante que eu partilhasse de algumas coisas e me levou para um passeio extraterreno, por entre a roda dos mundos, e pude divisar outros planos e a dinâmica evolutiva. Em algumas moradas, vi muitos planos e preparações para os encarnes, e que alguns já duram anos, em outras vi aqueles trabalhadores que em caravanas laboram em auxílio daqueles que se encontram nas zonas de trevas. Vi nos semiplanos o que a vontade dos Megistos pode fazer. Voltando para a Terra ainda pude ver algumas formas-pensamento grafadas por grandes eventos que impressionaram grandes grupos, e também algumas causadas por crenças, tradições, além de outras milhares que surgiam e desapareciam.

“Tantas são as moradas. Grande é o caminho do progresso” - Pensei. Quando retornei a mim, toda aquela correria, aquelas pequenas motivações das pessoas, tantos sentimentos negativos, pareceram-me efêmeros e sem sentido. Muitos, incluindo a mim, são passíveis de gastar toda sua oportunidade de existência com tarefas, serviços, e metas materiais, que sugam-lhe o tempo, a vita, e nada ou pouco lhe acrescentam no progresso moral ou espiritual. E assim tem sido, vindas após vindas, tal qual dias, gastamos nosso tempo na terra com as coisas da matéria, e o principal que agregamos ao nosso espírito, em muitos casos, são mais uma gama de coisas mal resolvidas e relações de inimizade. Sei que cada um se encontra em determinado ponto de sua jornada, e caminha a passos mais ou menos rápidos, e por isso cada um deve ser respeitado. Porém estou decidido a mudar meu rumo e buscar o exemplo das pessoas que perceberam que a chave da vida é nem lá nem cá, mas o justo caminho do meio. O equilíbrio entre os campos e os aspectos da busca. Trabalhando sim para o conforto da vida material, mas tendo seus momentos de ócio, reflexão, e lazer, deixando as famosas correrias e exageros de lado. E no contraponto estudando e se aprimorando no sentido moral e espiritual, bem como contribuindo para o progresso da sociedade a que se está inserido. Agradeço a inspiração dos amigos já desencarnados e também do Dr. Bezerra que também contribuiu muito para este novo momento através de seu documentário e de sua Luz.

Para encerrar esta exposição, peço que quando alguém indagar como estão, não digam “estou na correria”, mudem o pensamento e assim mudarão suas vidas.

Um abraço fraterno.

E.I.R.

Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Mensagem setembrina

O dizer “todos são iguais” traz consigo interpretações diversas. Entendo esta expressão dentro da perspectiva da fraternidade universal, onde todos nós devemos ser tratados com respeito e ter as mesmas oportunidades e condições para progresso e qualidade de vida, bem como termos as devidas liberdades. Está é uma boa visão.

Se dissermos “todos são diferentes”, também teremos não menos verdadeira concepção, pois cada um nasce com diferentes aptidões e capacidades, e forma uma personalidade a partir de precedentes genéticos e espirituais aliados ao meio ambiente através das experiências adventícias. Somos sabedores que mesmo gêmeos que têm genética tão similar e desfrutam de experiências parecidas principalmente no início de sua existência terrena, são um pouco ou completamente diferentes como indivíduos.

Neste sentido, a convivência é um constante desafio em nossa vida, nos âmbitos do relacionamento, da família e da sociedade, devido as diferentes perspectivas de mundo, e diferentes maneiras como o indivíduo reage aos eventos. Talvez essa questão, pequena para alguns, pode resultar simplesmente em se ter uma vida feliz ou não.

Me colocando na fogueira, embora eu tenha um relacionamento inter-pessoal muito bom (assim considero.. rs), no que toca à convivência diária as coisas vão ficando mais complicadas, pois é neste ponto que nossos defeitos, manias e hábitos, nossa individualidade em geral, se evidenciam e entramos em conflito com as demais. Confesso que não sou uma pessoa muito fácil de conviver. As vezes relapso e desinteressado, até apático devido introspecções, além de um tanto nostálgico, e já no segundo seguinte um pensamento, uma música, ou algum evento corriqueiro me torna super motivado, agitado, positivo. As vezes falo pouco ou nada, assim ouço os outros, sou flexível. Conselhos, dou poucos, o melhor conselho acredito que é aquele que damos a nós mesmos após desabafarmos com alguém. Já há vezes que falo muito, e pouco escuto do que os outros tem a me dizer, sou rígido e persuasivo. Dias e dias sou preguiçoso e me acomodo, tudo que quero é ficar quieto em minha casinha de caracol. Outros dias, me atrevo a encarar tarefas de Titãs, e trabalho com coragem, afinco e paixão. Desta maneira me sinto talvez em um mesmo dia em contato com a harmonia perfeita e também com o caos total. Este sou eu, longe da perfeição, mas perfectível, que abarca dentro de si a virtude e a falha, a sabedoria e a ignorância.

Diante disso, quero agradecer à minha companheira Samira que tem tanto me agüentado (rs...) em meus diferentes momentos, e infindas atividades. Acredito que sem ela eu talvez não conseguiria aprender muitas coisas que tenho aprendido e outras tantas que ainda precisarei aprender, no que tange à convivência, ao servir sem detrimento de si mesmo, ao companheirismo, amizade, equilíbrio, e amor. Este mesmo amor que muitas vezes me consola, e outras me chacoalha à realidade, enquanto divago num plano não-terreno como bom pisciano que sou. E principalmente que me faz ser melhor, mais determinado, menos egoísta, e mais comedido com o cartão de crédito.

Faço minhas as palavras dela, “que juntos possamos cuidar do nosso jardim, para que ele possa sempre florir independente das secas e tempestades que poderão surgir no meio do caminho...!”

À Samira, muito obrigado por fazer parte da minha vida! Parabéns a nós, pelos nossos 2 anos juntos. Beijos!

Aos amigos um tríplice abraço fraterno!

E.I.R