"Não existe verdade absoluta, mas sim o grau de entendimento que nos encontramos. O certo e o errado, o mal e obem, conceitos aparentemente antagônicos, carregam em si a relatividade das concepções que cada um traz em seu interior, bem como o estado evolutivo que o Ser se encontra na escada infinita de progresso."
Um fator o qual é prudente sempre considerarmos, é que perigoso se torna tomar algo por uma verdade imutável, pois as informações que vem de encontro a nós, são visões e interpretações sobre achados ou sobre aquilo que outros relataram em algum momento da história de acordo com suas próprias concepções. Assim sendo a história pode ser próxima, mas dificilmente exata, ficando a mercê da perspectiva e interpretação dos observadores, e deste modo mesmo episódios de centenas de anos podem ser recontados, desvendados e acrescidos à luz de novas descobertas.
O surgimento da Ordem do Templo não pode ser tomado por um único aspecto, pois complexa é a conjuntura sócio-política e religiosa que na época imperava. Para um maior entendimento, devemos considerar, principalmente, o modo de pensamento das gentes da época, bem como outros aspectos que procuraremos dentro do possível demonstrar nesta breve exposição.
O Islã
Maomé, a figura de maior importância no mundo islâmico, uniu as tribos e grupos em torno de uma única fé, e combateu com firmeza aqueles que a ela se opuseram. Destruiu ídolos e crenças diversas e criou todas as bases da religião que hoje é uma das maiores do mundo.
Após sua morte, no ano 632, o governo teocrático e gigantesco, que havia sido constituído em torno de sua pessoa, sofre um grande impacto. Nada havia sido pré-determinado, em termos de sucessão após sua partida.
Então com a ausência de sua figura central o mundo Islâmico estava novamente suscetível a divisões, divergências e conflitos. E é em decorrência disto que duas grandes vertentes dividiram o povo, entre xiitas e sunitas, o que é fundamentalmente uma das raízes dos conflitos que hoje divisamos no oriente médio. Os primeiros acreditam que só o Alcorão, escrito por Maomé, deve ser considerado como grande livro sagrado de sua fé, enquanto os segundos acreditam que além do Alcorão há outro livro sagrado que deve nortear seus costumes e atos, a Suna, que é uma compilação de eventos e feitos do profeta, reunidos pelos seus familiares.
Assim, imerso em disputas, o povo tinha novamente necessidade de uma grande personalidade que reuniria o povo islâmico e os protegesse da ameaça da cristandade da época, que a partir de 1096 começou a empreender cruzadas rumo às terras do oriente, e concentrando-se logo, na cidade de Jerusalém, uma cidade de vital importância tanto na fé islâmica, cristã quanto também na judaica. As disputas dentre o povo Islâmico eram constantes, e agora outro inimigo entrava em cena, os Cristãos, com hábitos, cultura e crenças diversas, e que vinham cada vez mais fortalecidos combater àqueles contrários à sua fé, em nome de Jesus Cristo, e reivindicar a cidade onde o mestre Jesus viveu seus últimos episódios terrenos. No outro lado, aos Mulçumanos era permitido a Jihad, ou guerra santa, para combater aqueles que ameaçavam sua fé e seu domínio.
Nos idos de 1174 quando o então rei de Jerusalém, Amauri, falece, evidência-se ainda mais um homem que foi de sua confiança, Salah ed-din, conhecido como Saladino. Por seu lendário modo extremamente cavalheiresco, fervor religioso, grandes habilidades políticas e pela sua destreza e habilidades em combates, rapidamente foi reconhecido pelos mulçumanos como Sultão, liderando um exército de mais de 500.000 mil homens em armas e fortalecendo seu povo no sentimento de uma só nação com objetivos em comum.

Saladino
E neste cenário de fervor religioso e conflitos, repleto de homens vitimados por extremismos e ignorância, e ao mesmo tempo convivendo com inúmeras personalidades de tal virtude jamais imaginadas, é que surgiu a Ordem dos Templários, que iria causar um profundo impacto nas mentes e corações dos homens da época, e seus reflexos, visíveis ou ocultos, ainda perduram e continuarão a ecoar pelos tempos imemoriais.
O início da Ordem do Templo
Muito se especula sobre os motivos da instituição da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e sobre suas atividades. Teorias mais ousadas dizem até que a Ordem foi fundada para guardar tesouros ou relíquias sagradas, como o Santo Graal por exemplo.
Contudo, acredita-se que Hugues de Payns, um dos nove cavaleiros franceses que fundaram a Ordem, possa ter participado de cruzada anterior. A realidade era dura, e com os conflitos e divergências constantes entre a cristandade e os povos islâmicos, os que mais sofriam eram os peregrinos que iam à Terra Santa com objetivos diversos, de redenção de seus pecados à busca de fazer fortuna, Estes peregrinos através de caminhos inóspitos eram vitimados por doenças, saques, intolerância e morte. Este fator pode ter sido a motivação principal do Cavaleiro, que se propõem, juntamente com mais oito companheiros, dedicarem suas vidas à proteger dos peregrinos dos ataques dos muçulmanos.
Ser Cavaleiro, ou seja, exercer o Ofício de Cavalaria, naquele período era depois dos clérigos, ofício de extrema importância, e implicava em ter nobreza de coragem, honra e virtudes, temer à Deus e defender os idéias cristãos, bem como assumir perante a Deus e ao povo um compromisso de defender os pobres e desprovidos. Essa mentalidade, perfeitamente seguida por estes primeiros nove bravios, culminou na instituição de uma organização monástico-militar, no ano de 1118, sendo estabelecidos pelo rei Balduíno II na mesquita de Al-Aqsa, edificada onde outrora fora partes de um antigo templo judaico, supostamente erigido pelo rei Salomão. Daí o nome original de Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo passar logo a ser conhecido simplesmente por Ordem do Templo ou Templários. Nestes primeiros anos eles ainda não teriam hábito ou regra determinada que os diferenciasse dos outros cruzados e ordens já existentes, embora o valor do Pobres Cavaleiros de Cristo fosse gradualmente sendo reconhecido.
Os então Templários fizeram votos de pobreza, castidade e obediência. Viviam de doações e esmolas, faziam escolta de peregrinos entre Jerusalém às margens do Jordão, e outros serviços menos expressivos, mas não sem importância, devido pequeno número de cavaleiros.
No Concílio de Troyes, no ano de 1128, no qual São Bernardo de Claraval que era um dos grandes apoiadores da Ordem, teve atuação das mais fundamentais, os Templários receberam o hábito branco com uma cruz vermelha na frente, e adotaram a regra cisterciense de são Bento, aceitando rígidas normas referentes ao funcionamento da Ordem, organização e vida monástica. Deviam assistir à missa todos os dias, vestir-se de modo simples e comer aos pares no mesmo prato. O silêncio era profundamente valorizado e aconselhado, evitando-se assuntos profanos ou menores.
Pelo seus ideais cristãos, manifestas virtudes, e a valentia e destreza que demonstravam nos combates, os monges-soldados obtiveram um imenso prestígio. Rapidamente a Ordem cresceu, tanto em membros e auxiliares quanto em território, riqueza e influência, com uma bem definida hierarquia, estatutos, e organização interna, tendo grande autonomia, livres da jurisdição de reis ou bispos, respondendo somente ao papa. Assim ela se tornava a instituição mais poderosa de sua época. Sua influência estendia-se nos mais diversos campos, cultural, social, econômico-financeiro, diplomático e bélico.
Neste sentido, acabaram por impulsionar muitos avanços consideráveis em todos essas áreas, proporcionando uma contribuição valiosa para os homens da época, bem como para as gerações vindouras, alcançando-nos na atualidade. Principalmente seus valores, a coragem com que protegiam os peregrinos e que lutavam em seus embates, sua proficiência econômica, administrativa e militar, gravaram marcas indeléveis nas páginas da história humana e atraem pesquisadores, curiosos e buscadores, que se deleitam com os feitos dos Cavaleiros Templários e assim se inspiram em suas próprias peregrinações rumo ao conhecimento e Sabedoria.
- Coleção Sociedades Secretas – Editora Larousse
- Wikipédia
Com meus melhores votos me despeço,
Sincera e fraternalmente,
Eduardo Isaac Rodrigues